terça-feira, 27 de março de 2012



“Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar.”

Encontros e Despedidas – Maria Rita

 (Re) Encontro

Ela desceu do trem, apoiou as malas no chão e olhou em volta. Não sabia de onde vinha, mas a cidade aonde chegava era familiar, muito familiar. E como sentiu saudades desse lugar, como sentia falta das casas pequenas, das ruas estreitas onde podia ser a dona do mundo. Olhou para trás e viu o trem se afastar, levar de volta outras mulheres que não sabiam para onde iam, mulheres que sem querer, sem perceber, se curvariam às vontades alheias, se submeteriam a olhares, a encantos e suas manobras, ainda que despretensiosas.
Mas ela estava de volta, de volta a si mesma, e sabia que nenhuma crítica a tornaria menor do realmente era, porque ela sabia que ninguém no mundo a faria mais feliz do que ela mesma.
Nas malas trouxe as lágrimas e as dores, experiências que não queria esquecer, não poderia esquecer. Mas isso era um assunto para depois. Agora, inundada de uma alegria libertadora, correu para a chuva de braços e boca abertos em uma necessidade doentia de libertar-se, de (re)encontrar-se.

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